O carnaval, festa popular, pessoas alegres, corações a mil, diversão, farra, brincadeiras... mas, no outro lado da moeda, a escola. Aquela que teve o prestígio diminuído, aquela em que seu poeta calou-se, aquela em que a ala das baianas desfilou incompleta, onde a alegoria no final da avenida transformou-se em prantos, onde no sorriso daquela criança inocente, que com amor cantava o enredo de tanta magia, escondeu-se atrás de uma expressão de dor...
O que dizer agora para o meu público? O que dizer à minha escola? O que dizer ao meu poeta maior e aos meus percusionistas? O grito da desclassificação, onde o erro jamais foi apontado, onde o público que fazia festa na arquibancada, calou-se diante o júri, que sem pensar em quantos sorrisos ele poderia desfazer, rebaixou minha escola se mais, nem porque...
Meu mestre-sala abandonou o posto, minha porta-standart, sumiu sem dar explicações, fui largado com o samba dolente, que encantou multidões nos ensaios, que fez sorrir o poeta que o compôs, mas que não fez sorrir aqueles que deveriam, não fez sorrir o jurado principal, aquele jurado que junto comigo criou alguns sambas-enredo, aquele que certa vez me olhou como campeão e, sem enfatizar o porque, deixou minha escola na mão.
Hoje a minha escola encontrou um poeta novato, algo novo na praça, algo diferente, e até surgiu-se alguns trechos para uma poesia, mas logo percebeu-se que o enredo não é o mesmo, que o dó maior, comum de tantos outros poetas, ficava praticamente sem som, lembrando-se do tom afinado e requintado do fá menor de outro poeta que por essa compunha...
Aquele cavaco, em perfeita harmonia com violões, ganzás, tamborins e repiliques, marcados pelo som forte dos surdos, carregados pela dança magica da minha comissão de frente e, acompanhados em aplausos frenéticos e contagiantes da arquibancada, representando a comunidade orgulhosa, que tanto torce por minha escola, virou um triste carnaval...
Eu, agora, não lamento a derrota, não lamento a decepção, somente
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
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Rodrigo!
ResponderExcluirVocê consegue colocar em palavras o sentimento daqueles que vivenciam a derrota de seus sonhos, das suas lutas, dos seus desejos...
Consegue ser o personagem central da sua história, irradiando a própria emoção expressa em sua alma de escritor...